
Teoricamente o medo funciona como um mecanismo de protecção. É saudável sentir medo das coisas e das situações. Também é uma boa forma de nos mostrar aquilo que realmente é importante para nós. Se pensarmos bem, geralmente só temos receio daquilo que desejamos muito alcançar. É aqui que tudo se torna perigoso.
A fronteira que separa o nosso medo natural como mecanismo de defesa daquele medo irracional e patológico é muito ténue. O nível elevado de expectativas que colocamos nas coisas que fazemos é fatal e capaz de transformar algo que serve para nos proteger em algo que nos vai destruindo.
Começamos por ter medo dos desafios comuns que a vida nos coloca. A dificuldade em conseguir ultrapassar esses obstáculos vai aos poucos baixando a nossa auto-estima. Desafios mais simples nos são colocados, mas já nem a esses conseguimos fazer frente. Tudo nos faz pensar que se não concretizamos uma coisa, não iremos conseguir concretizar as que se seguem.
O medo por si só gera medo, que se vai transformar em mais medo e depois é o efeito bola de neve. O ponto mais baixo desta relação talvez seja o receio de sair de casa. É quase impossível acreditar que alguém chegue a esta realidade, mas é verdade, ela existe e não é agradável.
Enquanto a maioria das pessoas vive amedrontada em perder entes queridos, em não ter o que comer ou não ter trabalho, medos que também possuo, eu vivo muitas vezes com medos sem significado para muitos e que se conseguem sobrepor a esses, racionalmente tão mais importantes que todos os outros.