2 de setembro de 2011

RSI, ou a falta dele

Ontem no jornal da noite da SIC, houve uma reportagem que prendeu e muito a minha atenção. O testemunho de uma mãe, a chorar porque teria sido obrigada a entregar os filhos a uma irmã visto ter deixado de receber o rendimento mínimo, e assim, não os conseguia sustentar. Não sei alguém viu, mas a entrevista era bem impressionante chegando a dar muita pena. Confesso que aquilo me pareceu mais uma "bandeira" da malfadada crise. Aii coitadas das famílias que sem o apoio do estado vão passar fome e vão ficar sem as criancinhas! 

Adiante... Aquilo pareceu-me tudo muito redutor. Neste tipo de casos as coisas não se resumem a um testemunho de 4 minutos a um qualquer jornalista. Geralmente, as coisas são bem mais complicadas e estas reportagens de nada servem porque estão a chamar atenção para os motivos errados. Hoje, a dita mãe está no programa da tarde da SIC. Vai-se a ver e a senhora já começou a ter filhos aos 15 anos de idade, agora possuí três, todos de pais diferentes e a vida da senhora é uma salgalhada total! Sinceramente, admira-me que não tivesse ficasse sem os filhos mais cedo, dada a instabilidade quer emocional, quer financeira que aparenta. 

Psicólogos ao terreno, que sem dúvida que a senhora precisa de ajuda. O que me choca, foi a mensagem errada que a reportagem do jornal da noite passou. Então a culpa é do corte do rendimento mínimo?? Claro que não. Fazendo de advogada do diabo, o governo não pode ser culpabilizado pela desestruturação familiar de algumas famílias. As ajudas são isso mesmo, apenas ajudas, de cariz temporário.
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14 comentários

  1. Olá concordo contigo!

    Sim há pessoas que precisam assim quando perdem empregos e não conseguem ter qualquer tipo de sustento, mas discordo completamente haver pessoas a viver do RSI há anos!
    A culpa não é do governo só, mas das pessoas que ás vezes preferem estar enfiadas no comodismo!

    Beijinhux

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  2. E a necessidade de exposição, neste tipo de programas, também diz muito das pessoas.

    Claro que não pode ser generalizado. Efetivamente há gente que precisa deste RSI, porque não conseguiu dar a volta e até tentou. E há outros que simplesmente fizeram más escolhas... mas que culpam tudo e todos, e nunca se olham :(

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  3. Vi ontem na SIC mas nem prestei muita atenção porque a dada altura comecei a achar uma grande fantochada, por parte dos jornalistas a quererem explorar uma situação (que é dramática, ok) pondo as culpas numa maldita crise e num maldito governo que tem de ser culpado de tudo. Exploraram o que quiseram e omitiram o que não interessa... Não sei que idade tem a senhora, mas não deve andar muito longe dos 30. Ouvi-a argumentar que não consegue trabalhos com horários compatíveis por causa dos filhos... francamente, compreendo a dificuldade mas não a aceito como desculpa. Trabalhei em RH e entrevistei muita gente que recusava empregos por causa dos filhos e a questão é: e antes de ficar desempregado, onde deixava os filhos? E neste caso particular, porque razão cortaram o RSI à senhora? - a SIC disse assim de relance que foi por "não comparência a uma convocatória". Ora, eu enquanto desempregada tenho obrigações de apresentação quinzenal, resposta às convocatórias do IEFP e não posso faltar. Quem recebe RSI deve também cumprir os seus deveres e ser activo na sua tentativa de reinserção no mercado de trabalho. Há muito trabalho a ser feito e faltam muitos psicólogos, assistentes sociais e educadores junto desta famílias... mas no estado em que o país se encontra, saber que há pessoas encostadas a benefícios que fazem falta aos idosos e doentes que realmente não podem trabalhar, revolta-me. E o Estado - que somos todos nós - não tem de andar a "pagar" a vida de quem acha que não precisa trabalhar.

    Desculpa se o comentário ficou confuso, mas ontem quando vi essa enntrevista percebi apenas a exploração dos jornalistas face à fragilidade de uma pessoa que devia ser direccionada e orientada devidamente... Enfim...

    **

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  4. A culpa não é do corte do rendimento mínimo!
    Mas pensa as coisas desta maneira, se ficar provado que aquela mãe possui condições pscicológicas para tratar as crianças, não será melhor o estado ajudá-la a fazê-lo, do que se meter as crianças num instituição do estado, onde também está a ser investido dinheiro para as manter?

    Eu acho que o Estado tem que apoiar (não só financeiramente) as famílias, de modo a que as crianças não tenham que ir parar a instituições.

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  5. não podia concordar mais contigo. O rendimento social de inserção é uma ajuda, ajuda essa temporária. Algumas pessoas pensam que aquilo lhes vai durar para sempre! Oh pá, há pessoas que nem precisam nada dessa ajuda pois tem dinheiros daqui e dali. Agora acredito que haja famílias que precisem dessa ajuda sim, mas temporariamente, e se calhar nem recebem nada.

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  6. Não vi a noticia em questao mas gostei de ler o teu post.
    Concordo plenamente.
    O estado tem de ajudar, temporariamente. Nao sustentar eternamente.

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  7. Acho que o problema deste país é pensarem que é o estado que tem de dar tudo. Sim, é muito triste uma mãe ter de "dar" os filhos a alguém por não ter posses para os criar. Mas ainda é mais triste uma pessoa ter filhos sabendo à partida que não tem posses para os ter.

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  8. Eu hoje à tarde tive a ouvir o testemunho dessa senhora e o que me fez parecer é que ela não quer trabalhar. Posso estar a ser injusta, mas ela ao dizer que teve varias propostas de trabalho e teve que recusar. Se a senhora tem saúde só tem é que lutar pela vida, assim como educar aquelas crianças.

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  9. A maior parte das pessoas tem dificuldades em "ler" para além do que é superficialmente apresentado numa notícia. Por isso é que estas histórias que apelam ao sentimento são boas para mexer com a opinião no sentido que interessa aos média.
    Não era preciso a senhora ir aos programas da tarde hoje para se perceber a sua incapacidade e a sua história, estavam lá os indícios ontem na entrevista que deu, bastava estar atento.
    E já agora acho ainda mais chocante que perder o RSI e entregar os filhos aos respectivos pais, ter filhos sabendo que não se tem capacidade para os educar. E não acho que seja obrigação do Estado suprir essa lacuna que não é fruto de um azar da vida mas que é um problema criado pela irresponsabilidade.

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  10. Concordo totalmente! Eu não vi a reportagem, logo não posso dar opinião quanto à imaturidade emocional da senhora em questão. No entanto, o facto dela ter 4 filhos, todos de pais diferentes, revela bastante acerca dela. Não a estou a julgar por ter tido vários parceiros sexuais, quem sou eu para fazer?! Até acho muito bem que as pessoas vivam e experimentem antes de passarem a vida toda com alguém! :p Mas, sem filhos! Hoje, numa sessão de Cidadania, os formandos falaram-me desse caso. E eu disse-lhes precisamente isso! Revela pobreza de espírito, mais do que pobreza de dinheiro! Além disso, e como disseste e muito bem, o Estado não pode ser responsabilizado pelos erros dos seus cidadãos! Os apoios que existem, RSI inclusive, são temporários e servem apenas para auxiliar o utente numa fase negativa. Mas o tuga habituou-se "à mama" e agora reclama! Sinceramente? Não tivesse tantos filhos, agora a situação seria mais fácil! E não me digam "Ah! E tal, a pílula não fez efeito" ou "O preservativo furou"! Acredito nisso à primeira, à segunda já não! Muito menos à quarta vez! Tenho é pena destas crianças, pois vão viver frustradas e revoltadas e, muito provavelmente, vão ser tão pobres d espírito quanto a mãe! Beijocas

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  11. Desde já, deixa-me que te diga que concordo plenamente!

    Rectificações 1º: creio que a senhora entregou os filhos aos pais... digo pais porque era cada uma "de sua nação" e, portanto, as crianças encontram-se separadas.

    Agora, achei tudo muito dramático...

    1º) então a senhora falta a uma convocatória e o RSI é imediatamente retirado? Será que foi só uma, mesmo? E por que motivo faltou? Se tivesse justificação e apresentasse de imediato o rendimento não seria cortado.

    2º) uma amiga da família comenta que há 2 semanas que as crianças passavam fome pq ela não tinha comida nenhuma no frigorífico... então e que raio de amigos e família tem a senhora???

    3º) gostava de saber, no entanto, quem informou a televisão para fazer toda a cobertura da notícia que pelos vistos não se ficou pelo telejornal... e, que pretendem??? não seria melhor monopolizar ajudas para encontrar emprego compativel com horários à rapariga, ou uma ama para tomar conta das crianças em horário acrescido???

    ... é que isto de dizer "ah e tal, o rendimento mínimo dava-me estabilidade para tomar conta dos meus filhos e ser uma boa mãe" se calhar também não é bemmm assim. Ninguém (excepção feita a famílias numerosas ou algumas etnias) consegue sobreviver com o RSI... e, na minha opinião, não o deveriam dar como certo. Acho que o problema é o facilitismo com que se promove o sedentarismo de quem gosta mais de ficar em casa porque "não compensa" ir trabalhar qd se ganha mais ou igual estando à mercê das ajudas estatais.

    Creio que é só.

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  12. Agora quem é beneficiario do RSI,também tem que trabalhar,ou fazer que trabalha,como na minha cidade,em que estão todos aqui nos jardins a olhar uns para os outros a fazer que jardinam.Talvez a senhora nao quisesse trabalhar,como tantos por aí.
    Nem imaginas a quantidade de gente que conheço que simplesmente não trabalha porque recebe esses rendimentos de "merda",desculpa o termo,que só faz com que isto esteja no estado em que está.Se me pagam para não fazer nenhum,então bora la aproveitar.
    Na aldeia dos meus pais existe uma senhora que teve dois filhos,cada um de seu pai,depois juntou-se com outro senhor,e teve mais 2.Ao todo em casa são 6 pessoas.Ele ganha 600€ limpos,têm casa propria PAGA,ela recebe o RSI e mais não sei quanto por filho,sei que são ao todo 800€.ORA 800 MAIS 600 são 1400€todos os meses,têm uma monovolume de 7 lugares NOVA. E o estado vai fazer-lhe obras em casa por serem pessoas NECESSITADAS!!!!
    Será que o estado sabe que muitos meses nao entram mais que 500€ em minha casa e também me pode arranjar uma casinha,apesar de eu trabalhar por conta propria e ir fechar a minha empresa por dar prejuizo ainda estou num escalão que nao me dá direitos,nem a mim nem à minha filha.
    Isto revolta-me imenso,e quando oiço as pessoas queixarem-se so me apetece dizer-lhes para se manterem bem caladinha porque o estado lhes dá mais do que merecem.

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  13. eu acho mal as pessoas estarem para aí a apontar o dedo sem saberem o que REALMENTE se passa.
    só espero que a mãe consiga ficar com os filhos. muita gente que dá a opinião nem sabe o que isso é, ser mãe e ter filhos.
    é muito fácil apontar o dedo aos outros quando se está numa situação confortável, é fácil e feio.

    **

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