10 de agosto de 2013

Viver em contra relógio*

Não sei se só acontece comigo, ou se é um sentimento comum nos dias de hoje. Mas a verdade é que às vezes dava tudo para voltar no tempo. Não, desta vez não é uma questão de idade, não me vou queixar dos aninhos que já pesam. Lembro-me de, não há tantos anos assim, a vida ser mais... lenta. Sim, parece que vivíamos mais devagar. Acho que talvez até ao final dos anos noventa ainda fosse assim. Existia um tempo certo e próprio para tudo, sem que as pessoas sentissem uma necessidade constante de atropelar os acontecimentos. E a tecnologia talvez seja a culpada de tudo isto. 

Lembro-me de ouvir uma música na rádio, o novo single de um conhecido cantor pop que iria estourar no top de vendas. Esperava ansiosamente que os dias passassem, para poder ver o videoclip dessa mesma música na televisão. E sim, já existiam canais como a MTV ou VH1 e eu até tive a sorte de ter televisão por cabo bastante cedo. O momento em que o CD saía para o mercado em Portugal então... era algo mágico. Ir a correr comprar e tratá-lo com muito amor e carinho para não riscar. Parece que os pequenos acontecimentos da vida tinham mais sabor. Ou, pelo menos, a sensação agradável que nos percorria o corpo naquele momento, era bastante mais duradoura. Tudo chegava no momento certo. Tudo parecia uma enorme conquista. Hoje em dia, com o excesso de tecnologias, redes sociais, canais de televisão, smartphones, tablets e mais não sei quantos gadgets, fico tantas vezes com a sensação que as pessoas passam a vida a correr para ver quem chega primeiro, a um sítio que nem elas próprias sabem muito bem qual é. As informações chegam-nos praticamente no minuto seguinte a terem acontecido e, aquilo que é novidade hoje de manhã, deixa rapidamente de o ser durante a tarde. À noite, quando nos sentamos a ver o telejornal, essa mesma notícia já nos parece velha e ultrapassada. O que acontece com as notícias, acontece com as músicas, as roupas, os filmes, as séries... E temos necessidade de consumir cada vez mais e mais rápido. Porque a sensação boa de novidade que nos percorria o corpo, agora dura menos, muito menos que há dez anos atrás.

*Repost
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10 comentários

  1. Parece que agora vivemos numa vida em contra relógio, acontece tudo demasiado depressa!

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  2. Pior é quando isto acontece com as pessoas que têm o pensamento "está tudo bem com ela/ele porque vi no facebpok por isso não preciso de lhe ligar ou marcar um café" :/

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  3. Acho que isso é um pouco relativo. Tu por exemplo vives numa grande cidade e o ritmo de vida é bem mais rápido do que por exemplo aqui no Alentejo. E depois há pessoas que têm um conceito de tempo diferente. Eu cada vez que vou a Lisboa fico um pouco "assustada" com os nervos à flor da pela que muita gente tem. Tem que se saber lidar com o tempo e tirar o melhor partido dele :)

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  4. Concordo completamente com o que acabaste de escrever. Eu parece que ando sempre a correr, e hoje tenho carro. Andei muito tempo a boleia e em transportes públicos e não me sentia "sempre a correr". Agora parece que não tenho tempo para nada, e se pensar bem tenho, mas parece que andamos sempre ansiosas com tudo. Era um máximo essa altura em que alguns momentos eram passados em frente a tv/radio para ouvir a musica e ate poder gravar!
    Que boa recordação que trouxeste agora!

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  5. Concordo plenamente! Excelente texto!

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  6. Muito interessante o que escreveste, Raquel. Concordo completamente. Penso em coisas do género muitas vezes e sinto-me completamente antiquada por me sentir assim (só tenho 25 anos, meu deus!). Parece que, hoje em dia, não se dá valor a nada. Porque, na verdade, as coisas não têm mesmo valor. São imediatas, facilitistas, acessível em todo o lado, a qualquer hora do dia ou da noite. Perdeu-se o sabor da novidade.

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  7. Belos pensamentos. É que é tal e qual isto. A velocidade estonteante com que as coisas nos são apresentadas, com que vivemos o nosso dia a dia é assustadora.

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  8. Essa sensação é mutua.
    Vejo por exemplo a minha filhota, tudo passa a correr, o tempo que ela tem para brincar e para as coisas dela é reduzido, mas infelizmente tem que ser assim senão fica para tras, com a idade dela a minha vida era mais simples e as exigencias eram menores.
    Beijinhos

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  9. Tenho a dizer que não és a única! :D O tempo passa muito depressa e um dos grandes problemas da vida é acharmos sempre que vamos ter tempo... Beijinhos

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