31 de janeiro de 2014

O valor humano*


No outro dia falava aqui da evolução da sociedade e das tecnologias. Da forma como isso alterou o nosso estilo de vida e o modo como lidamos com as coisas no dia a dia. No entanto, se pensarem bem, a modernidade só existe fora da cabeça das pessoas. A tecnologia evolui muito rapidamente mas a mentalidade humana fica lá atrás, quase que parada no tempo. Quando me deparo com a quantidade de preconceitos e estereótipos que ainda hoje existem, às vezes nem quero acreditar. Por exemplo, as pessoas tendem a definir as outras baseando-se naquilo que fazem e não naquilo que são. De repente, o nome passa a vir quase que atrelado à profissão. O Paulo, o médico. A Inês, aquela que é Engenheira na empresa Y. O João que trabalha na empresa W (que é mega importante). E todos os outros que parece que não são simplesmente pessoas, com qualidades humanas, mas sim alguém mais ou menos importante consoante a actividade que desenvolve. Já para não falar daqueles que têm a ousadia de escolher profissões menos convencionais. Esses geralmente, não fazem nada da vida. E curiosamente, parece que passam a ser vistos como pessoas menos importantes que as outras, ainda que sejam excelentes criaturas. Ninguém pode simplesmente viver para fazer aquilo que gosta, ser feliz à sua maneira. É também preciso parecer. É necessário encaixarmo-nos num grupo, numa actividade que a sociedade reconheça, e que nos atribui o valor que temos. Porque não valemos pelo que somos.

*Repost
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6 comentários

  1. Infelizmente vivemos numa sociedade cheio de estereótipos, as pessoas são muito "civilizadas" até lhes bater à porta. Vivemos à base de rótulos e é em tudo, desde a escola até à velhice. Uma coisa boa das redes socais é que podemos conhecer as pessoas "de olhos fechados" podemos simpatziar com alguém apenas com base nas suas crenças, sem termos outros aspectos em consideração!
    beijinhos

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  2. Minha querida,eu sou uma mulher simpatica, bonita, elegante, com uma otima apresentação, inteligente e bem educada mas como nao trabalho na minha area, nao sou tao bem valorizada pela minha familia e sociedade em geral.Oiço bocas constantemente, do genero,tiraste uma licenciatura p quê( a minha familia) ? É triste!

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  3. Pois eu abstenho-me de dar esse tipo de opinião, embora este post seja exatamente aquilo que penso, porque tenho "apenas" o 12º ano e não vão as pessoas pensar que eu estou com a frustração de não ter um curso superior. Sim gostava mas não foi possível. Aliás, fiz o secundário à noite em ensino recorrente e custou-me bem. Não me considero por isso menos inteligente, nem menos "pessoa", menos capaz de fazer algo na vida. No entanto, sinto na pele esse preconceito e morando num meio pequeno, ainda mais. As pessoas têm tendência a valorizar mais quem é Sr. DR., olha paciência. Fico com os verdadeiros amigos, aqueles que gostam de mim pelo que sou, não pelo que faço.


    Já agora, sou empregada de escritório mas já fiz limpezas e fui operária têxtil.

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  4. http://www.tvi.iol.pt/programa/28-minutos-e-7-segundos-de-vida/4992/videos/344403/video/14073741/1

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  5. O pior mesmo é quando, para além da sociedade, a própria pessoa se define SÓ pela profissão. Um dia muda/perde a profissão e perde a identidade, ou então puxa dos galões em qualquer ocasião para dizer que foi X na empresa Y (apesar disso já ter acontecido há um trilião de anos).

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