20 de maio de 2013

Os cabeleireiros e a adopção

Numa das minhas idas ao cabeleireiro - as idas ao cabeleireiro são sempre proveitosas no que toca a histórias para posts - e sendo a cabeleireira conhecida de longa data, há sempre uma pergunta que se impõe. Então quando é que pensas ter filhos? Isto depois que uma pessoa passa dos trinta, mais parece que anda sempre com uma sinalética no meio da testa a dizer "Cuidado, quase a passar da validade". As trintonas de plantão devem saber do que falo. Da última vez que lá fui não foi excepção. Voltou a tão inquietante pergunta. Como geralmente os salões são locais cheios de mulheres e com algum barulho de secadores à volta, as conversas nunca são propriamente particulares, ou de pé de orelha. Então, assim que a senhora proferiu a questão, senti de imediato um abrandar de movimentos por parte de quem me rodeava e também um baixar de volume propositado. Posto isto, a minha resposta foi um bocadinho mais longa que o habitual. Para além do usual "ainda não pensámos nisso" algo em mim quis acrescentar um "mas se for o caso, podemos até adoptar". Não, não estava a mentir. Sempre tive essa vontade e até já se falou do assunto cá em casa. Mas isso dá matéria para outro post. A minha intenção, ao mencionar esse facto naquele contexto, confesso que foi um bocadinho a de chocar. Sei que a maioria das pessoas não concebe muito bem a ideia de que um casal jovem e saudável, possa simplesmente, optar por não ter filhos biológicos. Por esse motivo, não estranhei a resposta que ouvi. "Mas olha que tens que ter muito cuidado com isso". Ao que eu respondo, "cuidado com o quê?" "É que nunca sabes que tipo de genes podem vir com a criança". Saiu-me de imediato uma gargalhada que optei por, discretamente, engolir. E claro que a conversa ficou por ali. 

Há muitas pessoas que pensam que por serem nossos filhos biológicos vão necessariamente ser parecidos connosco, partilhar dos mesmos gostos, mesmos comportamentos e até das mesmas maleitas. Não dou assim tanta importância aos genes que carregamos. Mas isto sou eu. Acho que, acima de tudo, somos produto da interacção com o meio e fruto das nossas experiências. Não estou com isto a renegar por completo a importância da carga genética, apenas não acredito que isso nos defina enquanto pessoas.
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5 comentários

  1. Biologicamente também não sabemos o que nos calha. Um filho é uma carta fechada, ponto. Biológico ou adoptado.

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  2. Até parece que os filhos biológicos saem sempre como os pais querem. Há muito preconceito ainda. Bjs

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  3. Os filhos biológicos podem ter uma porcaria de genes. O meio faz muito.

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  4. Tenho 29 anos e uma irmã de 5 anos. Uma irmã que adoro e que, apesar de ter os mesmos pais no cartão de cidadão, não tem os mesmos genes. Se me incomoda? Nada de nada. Se tivémos de lutar contra preconceitos mesmo dentro da família? Ai pois tivémos! Ainda por cima porque a sua cor não é igual à nossa. Se a amo profundamente? Totalmente! Se por vezes penso nos genes dela? NUNCA! Para mim é e sempre será a minha maninha: para o bem e para o mal.

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